Moda com significado

Foto: Instagram The Lilled Small Town

Foto: Instagram The Lilled Small Town

A marca de hoje que veio para mudar o contexto atual da moda é a The Lilled Small Town.

A ordem da casa é que tenha significado! Com foco no slow fashion e no consumo consciente, a Lilled, que trabalha apenas com retalhos e descartes da indústria têxtil, quer trazer experiências para a vida de seus clientes. A ideia de seu nome remete à uma pequena e fictícia cidade do interior, onde o tempo é respeitado e as experiências apreciadas. 

Quando estudava moda, a Bruna, criadora da marca, sentiu uma falta de significados mais profundos na criação das peças e teve a certeza sobre o que queria fazer: roupas com cuidado e amor. Além disso, se deparou com o enorme desperdício causado pela indústria e decidiu que as peças criadas por ela teriam um caminho diferente. 

Foto: Instagram The Lilled Small Town

Foto: Instagram The Lilled Small Town

Conversamos com a Bruna que nos contou suas impressões sobre a moda atual e como se vê mudando essa indústria. Leia abaixo: 

Modifica: Como começou e de onde surgiu o interesse em trabalhar com essa "nova" moda?

Bruna: No momento que comecei a estudar moda comecei a ver a falta de significados mais profundos nas peças e então dentro do projeto da universidade Ecomoda, conheci o desperdício causado por essa indústria. São tantos materiais bons que são jogados fora por questão de “tendências”, ou de ser da coleção passada - enfim, são infinitos os motivos para serem descartados e ver esses materiais foi uma mistura de indignação com uma vontade de criar coisas lindas com eles. Quanto mais eu estudava e pesquisava sobre uma moda diferente mais tinha certeza que era com isso que eu queria trabalhar, criar e desenvolver minhas peças.

M: Como, e de quanto em quanto tempo, são desenvolvidas as coleções?

B: Não existem coleções, adicionamos apenas algumas peças de inverno (hoje temos apenas um casaco). As peças são desenvolvidas para serem atemporais, fáceis de combinar e de adaptar. Temos um catálogo de modelagens com 15 modelos e com eles, dependendo da necessidade e gosto do cliente, vamos adaptando: põe uma manga ali, tira a gola, coloca botões e assim temos uma peça nova!

Outra maneira que trabalhamos é a partir dos retalhos. Quando sobra um espacinho fazemos uma saia, um vestido que mistura duas cores de tecidos diferentes ou então a mesma modelagem mas com tecidos diferente mudando completamente o visual da peça. Uma blusa de linho molinha feita em um tecido de algodão estruturado apesar de sair do mesmo molde é completamente diferentes e isso é incrível!

M: Quais os principais materiais usados pela marca?

B: Todos são retalhos, descartes da indústria têxtil e confecções. Damos prioridade para as fibras 100% naturais e também só usamos tecido plano pela questão de durabilidade do material.

M: Quais são os valores explorados?

B: Buscamos trabalhar com uma economia circular, valorizar a produção, valorizar a matéria prima, valorizar todas as pessoas da cadeia produtiva e também queremos estar sempre ligados com nossos cliente para que haja uma responsabilidade depois que a peça foi comprada.

M: Qual é percepção de vocês sobre o consumo de moda no Brasil?

B: O consumo de moda no Brasil é ainda muito baseado nas compras em grandes marcas e em shoppings, ainda muito ligado ao fast fashion: roupas de consumo rápido, de pouca durabilidade e até descartáveis. Existe então um movimento contrário que cada vez mais cresce com uma pegada bem forte na sustentabilidade e surge em mercados mais alternativos, em feiras de ruas, em lojas colaborativas. Existem também marcas grandes que estão abraçando essa idéia mas ainda assim é preciso ter cuidado porque como é um movimento crescente às vezes pode ser só mais uma maneira de enganar o consumidor com o chamado green wash. Apesar da visão um pouco pessimista sobre o consumo de moda no Brasil acredito que existe cada vez mais espaço para um mercado para a “nova” moda, um consumo mais consciente, justo e com menos impacto ambiental.

M: Qual impacto/mudança vocês querem trazer?

B: Nossa proposta vem muito ligada ao slow fashion: uma produção e um consumo no tempo que precisa ser feito, valorizar as pessoas que trabalham, o meio ambiente - um bem estar econômico, social e verde. Queremos ver uma mudança no modo com que as pessoas lidam com as roupas, saber que elas não são descartáveis que cada uma conta uma história e que a história das peças continua com o próprio consumidor.

M: O que te move?

B: Poder fazer algo diferente do que já se esta estabelecido dentro do mercado de moda, encontrar alternativas para o uso de materiais descartados que seriam largados em algum lixão, poder trazer valorização para o trabalho da costura, do corte, da modelagem. Todo esse mundo da transformação, valorização, slow fashion e upcycle é o que me move e move a Lilled. Sempre em busca de algo novo que possa mudar a forma como interagimos e vivenciamos nossas roupas, algo que estamos ligados todos os dias.  

 

Adriana ZemelComentário