Acredite: faz sentido!

Foto: Instagram Mudha

Foto: Instagram Mudha

Com foco na sustentabilidade, mas sem deixar de lado o design, surgiu a Mudha, a marca que vamos conhecer hoje. 

A ordem da casa é consciência! Atentas a todas as etapas da cadeia produtiva, focando em tecidos veganos e brasileiros e próxima de seus fornecedores garantindo assim uma mão-de-obra justa, a Mudha foca em uma moda slow, com peças que trazem cores neutras e estilos femininos e clean, garantindo vida longa no guarda-roupa de sua clientela.

A vontade das sócias Verônica e Aline de fazer algo novo e com mais sentido ao estilo de vida que seguiam resultou em uma marca que prova que consumo consciente e bom gosto caminham juntos.

Conversamos com a Verônica sobre a Mudha e suas impressões sobre a indústria da moda. 

Foto: Instagram Mudha

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Modifica: Como começou e de onde surgiu o interesse em trabalhar com essa "nova" moda? 

Verônica: Eu, Verônica, cursei metade do curso de biologia antes de me formar em administração. Desde lá, meu interesse com questões ambientais sempre esteve presente. Trabalhei anos em empresas "convencionais" e a inquietação por fazer algo que eu de fato acreditasse nunca foi deixada de lado. A Aline, minha sócia, é publicitária e trabalhou em uma empresa de moda bem tradicional, onde conheceu de perto a cadeia de produção e tudo que envolve essa indústria. A partir dali, viu que também não fazia mais sentido seguir nisso, foi então que surgiu a ideia de trabalhar com uma moda justa.

M: Como, e de quanto em quanto tempo, são desenvolvidas as coleções? 

V: Trabalhamos com apenas duas coleções por ano, uma de verão e outra de inverno. Seguimos um ritmo totalmente oposto às marcas fast fashion, que seguem tendências e criam diversas coleções ao ano. Nossa ideia é tornar as pessoas conscientes de seu consumo, e "ensinar" a comprarem produtos que sejam bons e duráveis. As coleções são desenvolvidas por nós duas, juntamente com uma modelista terceirizada que nos ajuda. A gente pesquisa referências do que imaginamos pra marca, e ela coloca em prática.

M: Quais os principais materiais usados pela marca?

V: Os tecidos que usamos são fibras naturais, tecidos orgânicos, tecidos reciclados ou tecidos biodegradáveis. Além disso, todos os fornecedores que trabalhamos são certificados dentro do que procuramos, como o processo de tratamento de água após tingimento, etc. Ainda não trabalhamos com 100% de tingimento natural, a coleção atual tem algumas peças nesse formato e isso é o objetivo ainda a ser implantado.

M: Quais são os valores explorados? 

V: A Marca trabalha com 6 pilares: não utilizar matéria-prima animal; relacionamento justo de trabalho; sustentabilidade – em todas as etapas do processo; trazer um impacto social positivo e isso é feito desde trabalho voluntário até oferecendo oficinas para pessoas em situação de vulnerabilidade social; produção local; slow-fashion.

M: Qual é percepção de vocês sobre o consumo de moda no Brasil? 

V: O consumo, em si, é muito desproporcional ao que precisamos, de fato. Acredito que é um pouco cultural, as pessoas são criadas para ter e não para ser. A mídia faz muito esse papel também, mas a gente acredita em um futuro diferente. Aos poucos, as pessoas estão tomando consciência de que seus atos estão totalmente relacionados ao futuro que elas esperam, e de que as coisas precisam mudar. Já estamos avançando nesse novo caminho, os primeiros passos já foram dados, e claro que não vai ser de um dia para o outro, mas acredito que aos poucos vamos chegar lá.

M: Qual impacto/mudança vocês querem trazer? 

V: É bem sobre o que comentei de "ter consciência" dos seus atos, é antes de tudo educar o consumidor sobre o consumo consciente, sobre ter apenas aquilo que precisa, peças que durem pra vida toda, e não somente a tendência de uma estação. É ter esse cuidado com o meio ambiente e com a sociedade, pensar no futuro e não somente no agora.

M: O que te move?

V: Somos inquietas e estamos buscando sempre o melhor, além de acreditarmos no que fazemos. A gente acredita na Mudha, e isso é o mais importante.

 

 

Adriana ZemelComentário