Movida por um mundo mais consciente

Foto: @caspluswater

Foto: @caspluswater

O arquiteto Frank Lloyd Wright é famoso por suas criações que trazem um respeito ao meio-ambiente, se integrando e usando dos elementos naturais ali presentes.

Um de seus projetos mais famosos é a “Casa da Cascata” e é justamente daí que surgiu a inspiração para criar a CAS Plus Water, marca super bacana de sapatos com um estilo atemporal e despretensioso, mas sem deixar faltar em charme.

A ordem da casa é a sustentabilidade como fio condutor. E, assim como a Casa da Cascata que teve a água como seu ponto de partida, a CAS também a tem como seu elemento principal.

Feitos no Brasil, incentivando a mão de obra local, os sapatos da marca são feitos de forma sustentável, trazendo uma grande preocupação com a matéria-prima utilizada e, principalmente, com o consumo de água durante a produção.

A marca reconhece, no entanto, que atingir o consumo zero de água é praticamente impossível. Mas, ao invés de só aceitar tal realidade, foi em busca de outra alternativa, compensando seu consumo por meio de doações para a ONG CEPFS.

E é isso que nós aqui do Moda Modifica valorizamos: marcas que não apenas buscam uma mudança sustentável, mas que também reconhecem suas dificuldades e seguem em busca de novas soluções.

Collab com a De Goeye  Foto: @caspluswater

Collab com a De Goeye

Foto: @caspluswater

O conceito e design da CAS acabaram também chamando a atenção de várias marcas incríveis, resultando em collabs super legais.

Vem saber mais sobre a CAS Plus Water no bate-papo que tivemos com a Laura, responsável pelo marketing da CAS, e que dividimos aqui com vocês:

Modifica: De onde surgiu o interesse em trabalhar com a moda consciente? E por que a água como foco da marca? 

Laura: Acreditamos que a sustentabilidade nas empresas hoje deve ser um pilar tão essencial como todos os outros (comercial, marketing, produto...). Se não fizer parte do “core”, a empresa não se sustenta. 

A ideia da água como fio condutor de todos os processos surgiu naquele período em que a cidade passou por uma séria crise de abastecimento. Quem mora no Sudeste nunca tinha sentido o peso da falta de água. No Nordeste, essa situação é comum nas áreas mais afastadas das cidades grandes. 

O que nos chamou a atenção é que, mesmo com uma enorme crise global, pouquíssimo se vê sobre a conscientização efetiva  do consumo da água. E por isso, trazemos esse tema, para que seja sempre lembrado. Pensando que, em poucas décadas, enfrentaremos o chamado “Dia Zero” – dia em que cidades como São Paulo, Londres, Jacarta, Pequim, Istambul, Tóquio, Bangalore, Barcelona e Cidade do México desativariam indefinidamente o fornecimento de água corrente devido à uma severa seca. – nos assusta a falta de consciência da população urbana. O Dia Zero ocorrerá em menos de uma década, ao menos que as pessoas mudem drasticamente a forma que utilizam a água. 

M: Sobre o processo de criação, vocês trabalham com coleções ou focam nas parcerias? De quanto em quanto tempo elas são desenvolvidas? 

L: Nosso objetivo é oferecer um produto atemporal. Portanto, sempre temos modelos clássicos que não saem de linha disponíveis em nosso site. Para diversificarmos e espalharmos nossos valores, focamos nas parcerias, ou “collabs”, que são desenhadas com no mínimo 6 meses antes de cada lançamento. 

M: Pude ver que vocês têm uma preocupação não apenas com a água, mas também em priorizar materiais atóxicos. Fiquei curiosa em saber se isso segue na parte de tingimento também, priorizando materiais naturais? 

L: Sim, estamos buscando sempre melhorar nossas matérias primas no sentido da sustentabilidade. Este ano decidimos não utilizar mais o couro, mesmo sendo tingido em sistema de reuso de água. Vamos substituí-lo por matérias primas mais sustentáveis. Nosso maior problema hoje em dia é conseguir fornecedores sustentáveis que forneçam pouca quantidade a um preço que caiba em nosso custo.

M: Qual é percepção de vocês sobre o consumo de moda no Brasil? 

L: Está mudando. Principalmente entre os jovens, que buscam verdadeiramente entender de onde vem e do que é feito o produto que consomem. Nossa desafio hoje é conseguir oferecer um produto de pequena escala, com matéria prima de qualidade e a um preço acessível.

M: Quais são os valores explorados pela CAS? 

L: Nosso objetivo vai além de um produto de qualidade e sustentável. Queremos  oferecer e agregar valores verdadeiros. Esse é o nosso diferencial. Por isso, nos apoiamos nos três pilares da sustentabilidade: responsabilidade social, econômica e ambiental. 

Em relação ao social, promovemos projetos ligados à gestão e manejo de água, construindo cisternas junto com a ONG CEPFS, para comunidades que não têm acesso à agua potável, no Sertão da Paraíba. 

Em relação à responsabilidade econômica, quando procuramos parcerias de fornecimento, deliberadamente escolhemos locais onde podemos melhorar o bem-estar individual, social e econômico, enquanto produzimos sapatos com matérias-primas de alta qualidade. 

Sobre valores ambientais, selecionamos nossas matérias primas com cuidado, sempre pensando no menor impacto possível no meio ambiente, dentro dos nosso limites de custo, para conseguirmos oferecermos um produto acessível.

M: Qual impacto/mudança vocês querem trazer? 

L: Queremos difundir um consumo mais consciente, chamando atenção para o uso da água.

M: O que move a CAS? 

L: As pequenas realizações de cada dia. A descoberta da viabilidade de uma matéria prima sustentável, uma nova collab, a construção de uma nova cisterna... 

A venda de cada par não torna apenas tudo isso possível, mas transforma o mundo em um mundo um pouquinho mais consciente e sustentável.

Adriana ZemelComentário