Mas, e o que tem por trás?

Foto: @silky.eco

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Em 2015, Livia Santiago abriu sua primeira marca de roupas. Três anos depois, percebeu que queria fazer algo mais, com mais valor para as pessoas já que em suas próprias palavras “roupas muitos fazem, mas o que tem por trás?”

Foi assim que nasceu a Silky. A ordem da casa é pensar no que está por trás.

Foto: @silky.eco

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Focada em trazer valores mais humanos, a Silky trabalha com um estilo minimalista, sem muita informação de moda já que Lívia acredita que “quanto mais informação mais descartável fica o produto” e ela espera trazer justamente opções que possam ser levadas para a vida, transitando em diferentes ocasiões e modas.

Além do design minimalista, a marca utiliza apenas tecidos biodegradáveis e/ou naturais já que enxerga a escolha do tecido como um dos grandes responsáveis pelos impactos causados pela indústria da moda.

Também, desenvolve apenas duas coleções - verão e inverno. Mas ressalta que a criação acontece o ano inteiro pois é essa sua parte preferida. Por isso, está sempre antenada às semanas de moda e, a partir das referências tiradas dos desfiles inicia o processo de criação da Silky.

Para Lívia, a palavra-chave é valorizar: não apenas valorizar o meio-ambiente, mas também a produção nacional e o cuidado com a mão-de-obra. Por isso, faz questão de investir em tecelagens brasileiras e acompanhar de perto toda a produção da marca, garantindo qualidade e padrões éticos e justos.

Durante bate-papo com a fundadora da Silky, ela nos contou sobre uma frase que leu em um livro e que a marcou muito. Referia-se ao que significa sustentabilidade para a população japonesa: “sustentabilidade para eles é fazer algo que seja sustentável para sua vida, que você, como pessoa, consiga sustentar. Isso me marcou muito porque a base da Silky é a sustentabilidade para o mundo. Os tecidos ecofriendly, o trabalho ético, a produção menor, acredito que isso é o sustentável para o mundo na indústria fashion.”

Leia abaixo um pouco mais da conversa que tivemos com a fundadora e designer da Silky:

Moda Modifica: Qual é a sua percepção sobre o consumo de moda no Brasil? 

Lívia: Acredito que o consumo de moda no Brasil ainda é muito inconsciente. No sentido de que a maioria dos consumidores ainda opta pelo preço ao invés do que pela ética, por tecidos ecologicamente responsáveis ou pelo mercado justo. Vejo um movimento de mudança nos adolescentes (que hoje representam grande parte dos consumidores), nos jovens e nas pessoas da classe A, mas ainda vai demorar para acontecer essa equalização do consumo no Brasil.

MM: Qual impacto querem trazer? 

Lívia: Temos alguns! Mas posso dizer que o maior impacto é mostrar como a indústria do fast fashion ficou descontrolada, em vários níveis. E a maior mudança é mostrar que cabe a nossa geração parar isso.

MM: O que te move?  

Lívia: O fato de eu saber que faço algo com valor! Não é simplesmente vestir pessoas ou desenhar belas roupas, é mais! Eu contribuo para a melhoria do mundo não usando tecidos ou aviamentos que usam petróleo para serem fabricados, não usando a viscose que desmata as florestas sem pudor; eu contribuo fazendo questão de saber quem são as minhas costureiras e pagando um valor digno pelo trabalho delas, eu contribuo desenhando peças que não se tornem descartáveis depois de usar 4 vezes, entre outras coisas que sinto que a SILKY faz. E além de ser muito gratificante nesses aspectos, consigo passar esses valores para as clientes! É isso que me move diariamente!

Adriana ZemelComentário